terça-feira, 2 de julho de 2013

A ROUPA NOVA DO REI

Será que alguém aqui já leu ou se lembra do conto "A Roupa Nova do Rei". Para ajudar a memória dos que já conhecem e dar uma noção para os que não,  se tratava da história de um Rei muito vaidoso,arrogante que sempre queria uma roupa mais extravagante que a outra. Um dia apareceram dois forasteiros,na verdade vigaristas, que diziam fabricar os melhores e mais finos tecidos do mundo. Não só as cores eram fora do comum, como, também todos os tecidos tinham o magismo de parecer invisíveis às pessoas mais fracas de inteligencia, ou àquelas que não estavam aptas para os cargos que ocupavam.
Na verdade era tudo uma enorme farsa,
não existia tecido mágico algum, mas mesmo assim o Rei, para não ser rotulado como uma pessoa sem inteligência ou inapto para exercer seu poder de rei, assim como seus ministros e demais participantes da Corte, fingiam enxergar tal tecido, chegando ao cúmulo do rei sabichão apresentar-se em público completamente nu.
Todos os cidadãos fingiam ver a "roupa nova" do Rei. Porém, uma criança que estava entre a multidão, em sua imensa inocência, achou aquilo tudo muito estranho e gritou: - Coitado!!! Ele está completamente nu!! O rei está nu!!
O povo, então, enchendo-se de coragem, começou a gritar: - Ele está nu! Ele está nu! - e segue a estória,vamos falar de umbanda agora!
O que vem acontecendo dentro do atual  umbanda, salvo honrosas exceções,vejo em muitas casas por aí (baseado em relatos de amigos e conhecidos de outras casa) médiuns e frequentadores  fingindo ver a "roupa nova do Rei", apenas para não serem taxados como retrógrados, inaptos ou estáticos. Não importa se a doutrina "ontem" falava que isto ou aquilo era errado e que hoje, por força de uma "revelação" do "Astral superior", passa a ser o certo. Questionamentos? Nem pensar.
Quando alguém, achando aquilo tudo muito estranho, ''ousa'' colocar em dúvida tais ensinamentos contraditórios passa a ser atacado das piores maneiras possíveis dentro da casa que frequenta. Os que se arriscam a tentar explicar as contradições, se perdem em explicações vazias, em discursos que mais confundem do que esclarecem. Mesmo assim,  as entrelinhas, deixam claro que aqueles que não se curvam aos superiores e profundos ensinamentos do PDS "X" ou "Y", não passam de pessoas sem a visão espiritual ideal, sem a percepção e até mesmo a inteligência necessária. Enfim, "modus operandi" típico de fanáticos, ligados à PDS e MDS que estimulam e encorajam tal fanatismo.

Saindo do campo doutrinário, vemos esta questão nas práticas e ritos. É muito comum vermos "médiuns" que se deixam levar por auto-sugestões, afirmações e "exemplos" (por falta de palavra melhor) de outras pessoas. Temos aqueles que ansiosos para receberem a "traquina" criança, o "poderoso" caboclo e o "humilde" Preto Velho (mas principalmente, o todo-poderoso "exu"), insistem em saber o nome de "suas" entidades, mesmo que não tenham sentido um mero "vento" da presença delas. O sacerdote, talvez levado pela vaidade de "tudo saber e poder", fornece vários nomes, induz o pobre médium a acreditar que aqueles que ele diz são os mentores da iludida criatura e, pouco tempo depois, já vemos o Pai "X", o Caboclo "Y" e o Exu "Z" se manifestando, com os mesmos nomes, do jeito que o "Zelador" descreveu. Normalmente tais pessoas, no afã de "desenvolver as entidades", ficam por ai a pedir informações sobre elas, tais como ponto cantados, riscados, roupas, hábitos e até, pasmem, história de vida das mesmas. Recebem tais "informações" hoje, via listas de discussão ou comunidades de relacionamento na internet, e na próxima gíra tudo que "aprendeu" já fará parte da "poderosa entidade" que ela recebe.

Afinal de contas, em um meio onde se vive pregando humildade, tolerância, igualdade, etc, conceitos estes, como já disse em outra postagem, que a maioria que os prega e exige não têm a mínima noção de seu real significado e, pior, não os praticam no dia-a-dia, não enxergar "a nova roupa do Rei" é motivo de desconfiança, chacota ou inaptidão para o "cargo" de médium.
 O médium de Umbanda deve antes de tudo apreciar, entender e ver a própria "roupa" que veste, quero dizer com isto que devemos conhecer nossas limitações como pessoas, como seres espirituais e não buscarmos tentar ser mais do que realmente somos. O terreiro umbandista não é local para vaidades, fofocas, julgamentos de nenhuma espécie e sim um local de orações, onde a tão propagada (e tão pouca praticada) CARIDADE deve ser exercida por todos ao seu modo,dentro de suas limitações
Não se deixe levar pela vaidade de pompas, nomes, cargos, adereços luxuosos,nenhuma entidade de fato e de direito necessita disto.

 Estas são coisas e vaidades humanas e não ligadas à seres que há muito não resgatam na penumbra da forma. Se assim não agirem e pensarem, por mais "bonitas" e "poderosas" que outros (ou você) julguem ser suas entidades, corre-se o risco de um dia ouvir no meio da assistência: "O Umbandista está nu !!! Completamente nu !!!"

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TUOD Tenda de Umbanda Ogum Delê


2 comentários:

  1. Cheio de siguinificado! É muito comum perguntas do tipo . . . Com q entidade vc trabalha? Qual o nome dela?
    Como posso saber o nome se ainda estou aprendendo a receber suas energias, e com muita dificuldade.
    Acho que o mais importante é se «vestir» realmente da verdadeira Umbanda!

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