domingo, 28 de novembro de 2010

È preciso ter ética!

Já abordei este tema,mas o julgo tão importante que voltarei a mencioná-lo,pois se nós representantes,sacerdotes ou mesmo simpatizantes de nossa religião não fizermos nada,cada vez mais nossa umbanda será associada ao charlatanismo,mergulhando a nossa prática num mar de descrença e desconfiança.
Vemos diariamente em diversos veículos de comunicação,que tem como alvo o ''povo de santo'' e os ''filhos de fé'',serem irritantemente invadidos por propagandas e anúncios oferecendo toda uma gama de ''serviços espirituais'' para as mais variadas necessidades,transformando a umbanda numa ''empresa prestadora de serviços''que diga-se de passagem,cobra alto por seus préstimos,criando uma imagem de total mercantilismo,fato este que deveria ser coibido por sites,jornais,programas e revistas que se auto denominam sérios e defensores dos príncipios religiosos.
Concordo que estes anúncios,sustentam o sistema todo,porém deveria haver uma filtragem mais seletiva para que se mantivesse a ética e postura acima de qualquer coisa.
''Faço e desfaço qualquer trabalho com garantias''-,''Trago a pessoa amada em N dias''-, ''Curo qualquer doença em N dias'',e tantas outras falsas propagandas que só servem para denegrir nossa religião e brincar com a fé alheia.
Desde quando um trabalho possa ter total garantia,se tudo que fazemos em nossa prática,esbarra no merecimento de cada um, e nas leis de ação e reação,efeito e causa?
Como trazer a pessoa amada para alguém,se isto não estiver no ''script'' de vida de ambos?
Talvez se trará um corpo semi-inanimado,jamais sentimento verdadeiro,e o que é pior,como curar doenças,que já afetam o corpo físico e que provavelmente fazem parte de um plano de resgate cármico ou purgamento?
Estariam estes ''milagreiros''adulterando os planos astrais ,traçados antes de nossa de nossa reencarnação e modificando o que é merecimento de cada um ou simplesmente vendendo idéias fraudulentas.
Eu penso que a umbanda nos ajuda a carregar nossos fardos e a lidar com nosso jugo e não modificar o que está traçado em nosso carma,nossos guias nos auxiliam em nossos resgates,nos dando discernimento e sabedoria para lidarmos com situaçoes que nossa sanidade carnal não saberia como lidar,concedendo-nos
o que chamo de 3°olho.
Não sei se criticar a postura de nossas federaçoes é correto,porém se tivéssemos uma vistoria físico-espírita mais exigente por parte das mesmas,não se propagariam tantos falso sacerdotes,nem mercenários que se arvoram de PDS,assaltando literalmente,os incaltos consulentes que os procuram na tentativa de encontrar lenitivos para suas mazelas

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TUOD Tenda de Umbanda Ogum Delê

terça-feira, 2 de novembro de 2010

CHEGA DE INTOLERÂNCIA RELIGIOSA

Acontecem fatos em nossa vida,que nos fazem esquecer que estamos no ano de 2010,século XXI e moramos num país onde a democracia reina e nossos governantes atestam sermos nós totalmente livres para professarmos nossa crença e religião,afinal de acordo com nossa constituição somos um país laico e respeitador dos direitos universais do ser humano.
Pena que isso só funcione no papel e não na prática,nos remetendo aos primórdios da nossa existência onde tudo era resolvido á ferro e fogo.
Sábado passado, dia 30 de outubro de 2010,passei por uma experiência lamentável em minha estrada sacerdotal,fazendo me lembrar das adversidades que os umbandistas mais antigos viveram no ínicio de nossa sagrada religião,onde eram severamente perseguidos por sua fé e prática religiosa.
Estava com uma médium recolhida,em obrigação de santo em nossa tenda de umbanda e decidimos levá-la á um rio de águas limpas para realizar sua catulação,exatamente no sítio natural de sua orixá OXUM,que é sua santa de frente,óbvio que por mais concentrada que ela estava,não conseguiu esconder a felicidade e alegria em ter esta proximidade com o reino de sua mãe Oxum,fato novo para ela inclusive.
Nos preparamos físicamente para este procedimento,reunimos todo o material necessário para sua realização e decidimos sobre o local,que é numa cidade próxima de Blumenau,onde serpenteia um rio lindo,de margens floridas e água limpa,totalmente forrado de pequenos seixos claros,arredondados simétricamente pela natureza,sendo assim perfeitos OTÁS para nossos fundamentos e trabalhos.
Nos vestimos,aprontamos toda a documentação necessária para realizarmos eventos ao ar livre e nos dirigimos para o local de nosso trabalho,felizes e ansiosos para ter este contato com a natureza e com Oxum.
Lá chegando,fomos recepcionados com uma suave correnteza,que foi acrescida pela breve chuva do dia anterior,aumentando o nível do rio tornando-o mais vigoroso e belo.
O sol nos cobria com seus raios,trazendo-nos uma sensação branda de calor e lindos pássaros presenciavam os preparativos para o ínicio de nosso trabalho...,tudo estava acontecendo como o planejado,até que fomos brutalmente abordados por um cidadão,aparentando uns 60 anos,que se dizia proprietário da barranca de rio onde estávamos,ele se mostrou exageradamente irritado com nossa presença e pouco aberto ao diálogo,onde pessoas racionais e amistosas sempre acabam por se entender.
''Subentende-se que toda faixa territorial que cerca rios,lagos,encostas marítimas,indo do preamar(divisa de água e terra),se estendendo por 33 metros,pertencem á marinha por decreto,não podendo ser negociado em esferas legais,pois se tratam de áreas de mata ciliar''.
Educadamente indagamos ao nervoso homem,onde estaria a demarcação,placas ou cerca que pudesse nos avisar que aquele espaço era particular,nos privando de utilizá-lo e tivemos como resposta,inúmeras ofensas,xingamentos e ameaças á nossa integridade física,nos chamavam de macumbeiros,bruxos,mandingueiros e toda a vasta galeria de opçoes que nós umbandistas somos associados,não apenas pelo senhor,como agora por seus dois filhos de avantajado porte físico.
Evitamos o agravamento da situação e mesmo já tendo acionado a polícia,nos retiramos do local,pois certamente seríamos agredidos e as coisas poderiam tomar destinos piores..
Vale salientar que nossa comitiva era de 4 pessoas,sendo eu o único homem,talvez porisso o excesso de agressividade que fomos tratados.
Procuramos a delegacia de polícia mais próxima de onde estávamos e registramos queixa contra este ato de total covardia e intolerância religiosa,contra nosso direito de  expressarmos nossa fé.
Infelizmente este senhor e seus adoráveis filhos,serão processados e terão que dar explicaçoes á lei .
Não estou preocupado com a repercussão que isto vai ter,apenas quero cooperar para tentarmos acabar com este câncer que é o preconceito religioso

ESTA É A NOSSA REALIDADE

Não sei se existe em algum outro lugar do mundo,um país que contenha uma variedade religiosa tão vasta e plural como aqui no brasil,são tantas as vertentes religiosas que abastecem nossa população que é praticamente impossível conhecer á todas.
È comum em nossa ''PÁTRIA AMADA BRASIL'',em decorrência da enorme diversidade de manifestaçoes de fé,fiéis que frequentam a missa aos domingos,assistem á programas protestantes ou evangélicos na televisão ás segundas-feiras,participam de reunioes espíritas as sextas-feiras e cultuam seus guias e orixás nos terreiros de umbanda aos sábados,o que para mim caracateriza-se como uma enorme falta de convicção religiosa e falta de personalidade.

Entre os principais traços culturais do campo religioso brasileiro destacam-se a cultura portuguesa,a africana e a aborígene,esta miscigenação sincrética já era encontrada em nossa terra desde o século XVI,quando as misturas entre catolicismo e práticas indígenas,fomentados pelos colonos portugueses,daí somou-se as crenças africanas trazidas pelos escravos,o culto aos orixás,o que proporcionou uma mistura maior ainda de culturas religiosas em nossas terras.
Hà muito tempo atrás,já era visto inúmeras pessoas receberem o batismo católico e ao mesmo tempo levarem oferendas aos seus orixás,tornando comum o sincretismo religioso que os escravos implantaram para poderem professar sua crença sem maiores represálias,afinal quem os visse cultuando São Jorge,não sabia que era Ogum o verdadeiro cultuado.
A inserção de cativos africanos no brasil,desde o século XIX,originou uma cultura sincrética e particular,os negros trouxeram seus cultos,que se fundiram ás práticas cristãs e indígenas,deixando marcas profundas no campo religioso brasileiro,novos mitos e ritos,o transe,a dança eram uma proposta muito distinta do catolicismo romano,estes cultos encontraram adeptos,sobretudo nas camadas inferiores da população brasileira,entre os escravos e outros oprimidos,ainda assim,estas formas de fé representavam grupos parciais e não a totalidade da sociedade brasileira.
Com o surgimento da Umbanda no ínicio do século XX,oriunda da fusão de práticas católicas,ameríndias e africanas formou-se o que eu sempre chamo de  ''RELIGIÃO GENUINAMENTE BRASILEIRA'',que pelo seu apelo ás classes mais necessitadas tornou-se exemplo de prática caritativa entre seus adeptos e praticantes.
Desde aqueles tempos á prática Umbandista cresce regularmente em praticantes,porém não cresce em números,pois muitos de seus frequentadores não se assumem publicamente ou praticam unicamente a umbanda,se declarando fiéis de outras denominaçoes,portanto não engordam nossas estatísticas á nível nacional.

Não querendo criticar ou ofender ninguém,acho que está na hora de acabar com esta hipocrisia que ainda assola nossa população,é triste dizer mas em minha casa ainda me deparo com consulentes que acabaram de expôr suas  mazelas á uma entidade espiritual,pedirem para que suas visitas sejam ocultadas ou não vistas por nós,numa clara tentativa de não querer assumir sua fé ou crença.
Estas pessoas simplesmente não querem ser vistas por parentes e amigos,por vergonha e discriminação,como se fosse uma abominação adentrar em um terreiro de umbanda e se atrair por seus ritos.
Eu sou á favor do aprendizado religioso,para sua correta prática,não concordo com pessoas leigas em nossa religião,vestirem-se de branco,na virada do ano,poluirem sem respeito nossos mares,oferendando coisas absurdas á Iemanjá,sem nem mesmo entenderem o que estão cultuando,adotando o termo ''MARIA VAI COM AS OUTRAS'',pois quase sempre fazem isso para imitar-nos,declarando em silêncio sua simpatia pelo nosso culto.

sábado, 23 de outubro de 2010

ANTIGAMENTE NÃO ERA ASSIM...

È incrivel como a modernidade de hoje em dia está tornando médiuns,filhos de fé e simpatizantes da nossa religião,em pessoas displicentes,desinteressadas e descompromissadas pelo cumprimento mediúnico,digo modernidade,por vir de uma época onde não existia muito diálogo entre ''casa'' e neófito e tínhamos que acolher as imposiçoes de nosso PDS ou MDS sem muito questionar ou divergir.
Nada ou (quase nada) nos era pedido e sim ordenado sem a preocupação de contar com nossa concordância ou aceitação.


Tìnhamos afazeres dentro de nossa comunidade,e como nos sentíamos úteis e importantes dentro de nossa família de santo,pois éramos vistos e aceitos de forma diferente pelas lideranças da casa.
Sentíamos prazer em cooperar e sempre que nossa presença era requerida,era isto motivo de extrema alegria,tanto por ajudar,como para conhecer melhor as entranhas de nosso terreiro e de nossa doutrina.
Eu particularmente,sempre gostei de cambonear trabalhos e consultas pois sempre julguei que esta é a melhor e mais completa forma de se aprender o que há nos bastidores de nossos terreiros,é neste contato mais íntimo com as entidades e com os trabalhos que aprendemos toda a beleza e grandiosidade que envolvem a sagrada umbanda,é presenciando uma consulta,que entendemos um problema desde o seu diagnóstico até a sua resolução e averiguamos com isso toda a infinita variedade de resultados que são oferecidos por nossas sábias entidades que militam na seara espiritual.
Lembro-me que eram tempos difíceis,pois todo o nosso aprendizado era transmitido de forma fragmentada e controlada,afinal não existia naqueles tempos tantos recursos tecnológicos que nos aproximassem da informação,não existia outras formas de aprendizado disponíveis a não ser a doutrina de nossa casa que era semanalmente ministrada e com apenas uma hora de duração,que  procurávamos aproveitar intensamente pois dali saía nosso escasso aprendizado.
Ouvíamos com muito mais atenção cada ensinamento que nos era passado,não com a ganância que existe hoje de aprender rapidamente,de se aprontar rapidamente e começar a atender e faturar rapidamente,mas sim com o desejo que todo o aprendizado nos torna-se pessoas melhores e mais aptas para uma correta e sadia missão dentro de nossa religião.


Acatávamos com extremo respeito todas as diretrizes que nos eram impostas,sem nos atentar para o tom ou timbre de voz,ou ainda a forma como éramos tratados por nossos superiores,resumindo-nos á apenas cumprir o que nos era decretado com esmero e servidão.
Hoje em dia muita coisa mudou na relação entre neófitos e zeladorias de casas,hoje as lideranças de um terreiro estão muito mais presentes,ativas e acessíveis e isso não é levado em consideração,quem não conheceu as dificuldades não valoriza o fácil acesso que há nos dias de hoje,temos que ter como zeladores,um esmerado e calmo modo de falar,pois médiuns se ferem e se magoam á toa hoje em dia,qualquer coisa ou assunto abordado é motivo para justificar suas fraquezas e inadimplências em relação á sua frequência na corrente mediúnica,terminando por abandonar suas casas e ainda nos culparem por isso.
Os médiuns de hoje não sabem como diferenciar o(a) sacerdote(isa),entendendo que não precisam de tratamento diferenciado,já que são tão ''amigos'' de seus zeladores.
Se não conseguirmos resgatar certos métodos de comportamento religioso estamos cooperando para seu término ou falência,dentro de um curtíssimo espaço de tempo,pois cada vez mais haverá a banalização do sagrado,sendo comparado ao profano

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